NASA adia o lançamento do Telescópio Espacial James Webb até 2020

O telescópio espacial em infravermelho que irá revolucionar a astronomia precisa de tempo adicional para testes e integração para garantir o sucesso. Lançar um projeto deste tamanho e escopo será uma realização surpreendente, mas não...

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O telescópio espacial em infravermelho que irá revolucionar a astronomia precisa de tempo adicional para testes e integração para garantir o sucesso.

Lançar um projeto deste tamanho e escopo será uma realização surpreendente, mas não é sem os seus desafio. Cada parte do Observatório deve submeter-se a testes rigorosos, muitas vezes separadamente e uma vez integradas no conjunto, antes de poder ser considerado apto para o lançamento. Esta é a principal razão para o prazo adicional.

Por isso a NASA decidiu adiar o lançamento do seu próximo grande observatório espacial, o Telescópio Espacial James Webb, até o início de maio de 2020 — quase um ano depois do previsto anteriormente — devido à necessidade de mais testes nos complexos sistemas e a contratempos do telescópio, inclusive com o protetor solar do tamanho de uma quadra de tênis, anunciou a agência espacial hoje (27 de março).

Devido ao atraso do lançamento, o preço de US$8,8 bilhões do telescópio pode aumentar, informaram aos jornalistas os funcionários da NASA.

“Todo o equipamento de voo do Observatório está agora completo; no entanto, as questões trazidas à tona com o elemento da espaçonave estão nos levando a tomar as medidas necessárias para reorientar os nossos esforços na conclusão deste ambicioso e complexo Observatório”, disse o Administrador da NASA em exercício Robert Lightfoot em um comunicado.

O telescópio espacial James Webb é um projeto colaborativo apoiado pela NASA, pela Agência Espacial Europeia (ESA) e pela Agência Espacial Canadense (CSA). Em novembro de 2017, o Telescópio completou o teste criogênico em Houston em janeiro deste ano, conforme visto na foto acima, dentro da câmara de teste criogênico da NASA. Atualmente o Webb está na Califórnia com os componentes de voos da espaçonave. NASA/Chris Gunn
O telescópio espacial James Webb é um projeto colaborativo apoiado pela NASA, pela Agência Espacial Europeia (ESA) e pela Agência Espacial Canadense (CSA). Em novembro de 2017, o Telescópio completou o teste criogênico em Houston em janeiro deste ano, conforme visto na foto acima, dentro da câmara de teste criogênico da NASA. Atualmente o Webb está na Califórnia com os componentes de voos da espaçonave. NASA/Chris Gunn

Creditado como o sucessor do Telescópio Espacial Hubble, o novo telescópio espacial é um Observatório infravermelho projetado para perscrutar profundamente o universo, estudando as primeiras estrelas e galáxias, e procurando novos planetas em torno de estrelas distantes. A NASA construiu o James Web em duas partes: o telescópio em si e um enorme e complicado escudo solar que protegerá os instrumentos sensíveis do Observatório dos efeitos da radiação do Sol.

Durante uma conferência de imprensa hoje, Lightfoot foi acompanhado por Thomas Zurbuchen, administrador adjunto da NASA na Direção de Missão Científica, e também por Dennis Andrucyk, administrador adjunto da Direção, ao descrever as causas do atraso e os passos que eles estão tomando para jogar o projeto mais para frente.

O telescópio espacial James Webb da NASA é um observatório espacial de US$8,8 bilhões, construído para observar o universo em infravermelho como nunca antes. Veja como o telescópio espacial James Webb da NASA funciona neste infográfico do site Space.com. Créditos: Karl Tate, SPACE.com Infographics Artist.
O telescópio espacial James Webb da NASA é um observatório espacial de US$8,8 bilhões, construído para observar o universo em infravermelho como nunca antes. Veja como o telescópio espacial James Webb da NASA funciona neste infográfico do site Space.com.
Créditos: Karl Tate, SPACE.com Infographics Artist. (Veja a imagem ampliada aqui.)

Embora todo o hardware de voo está completo, eles disseram, o teste de algumas partes do hardware levou mais tempo do que o esperado; por exemplo, ao invés de levar duas semanas para ser instalado e um mês para ser dobrado e guardado pela primeira vez, o protetor solar levou um mês para ser instalado e dois meses para que conseguissem dobrá-lo e armazená-lo.

Houve também atrasos no cronograma devido a contratempos de hardware: os cabos que puxam o protetor solar no lugar tinham muita folga, levando a um perigo de emperramento e sete pequenos rasgos formando dentro do escudo de cinco membranas independentes; os dois rasgos maiores detectados tinham 4 polegadas (10 centímetros) de diâmetro, disse Andrucyk.

Além disso, “principalmente no sistema de propulsão, tivemos um atraso de cronograma devido a um transdutor que foi alimentado incorretamente; precisávamos substituir isso. Que resultou em um impacto [no cronograma] de três meses “, acrescentou.  “Um solvente incorreto foi colocado através do sistema de propulsão; como resultado, acabamos por ter de substituir as válvulas nesse sistema, e um aquecedor catalisador de leito foi acidentalmente exigido além de sua capacidade e precisou ser substituído. Essas [questões] são erros evitáveis, mas no desenvolvimento de sistemas muito complexos, essas coisas acontecem”.

A NASA originalmente esperava lançar o Telescópio Espacial James Webb em 2018, mas adiou até 2019 em setembro passado devido a atrasos na montagem do Observatório.

A possibilidade de mais um adiamento surgiu em fevereiro, quando um relatório do Escritório de Prestação de Contas e de Responsabilização Governamental dos Estados Unidos advertiu que o telescópio enfrentava uma probabilidade elevada de mais atrasos que poderiam empurrar o custo do Telescópio James Web para além de seu limite de orçamento. Em 2001, o Congresso do país atribuiu ao Telescópio um teto de custo de US$8 bi antes do lançamento.

“Seguindo os dados de uma avaliação independente, a NASA determinou que a data de referência do lançamento Webb será adiada de patamar base em mais de seis meses, e sua estimativa de custo de desenvolvimento pode exceder o limite de US$8 de desenvolvimento”, Lightfoot disse na coletiva de hoje.  “Se violarmos o custo 8.000.000.000 que foi estabelecido nas dotações do Congresso, o projeto terá de ser reautorizado pelo Congresso”. Os funcionários da agencia espacial ainda estão revendo o possível aumento de custos, mas a NASA irá apresentar um relatório detalhado ao Congresso neste verão sobre os impactos no custo e no cronograma.

Quando o Telescópio Espacial James Webb finalmente voar, ela será o maior observatório espacial já lançado. O James Webb tem sete vezes o poder de coleta de luz do Hubble. Ele vai operar a temperaturas ultrafrias e deverá ser capaz de detectar luz infravermelha das primeiras estrelas e galáxias do universo, bem como analisar as atmosferas de planetas distantes (exoplanetas) à medida que eles passem na frente de suas estrelas.

Os instrumentos e espelhos montados recentemente completaram testes em uma enorme câmara de criovácuo no Johnson Space Center em Houston, e o telescópio foi transportado para a instalação da Northrop Grumman na Califórnia para montagem final unindo-o com o seu protetor solar do tamanho uma quadra de tênis e do ônibus espacial.

Indo para frente

Os funcionários da NASA especificaram as mudanças organizacionais no trabalho no Telescópio Espacial James Webb, incluindo a implementação de mais supervisão da NASA do projeto na

Northrop Grumman. A NASA irá acompanhar os relatórios diários e semanais de testes e os funcionários do Goddard Space Flight Center da NASA, em Maryland, irão rodar as dependências na Califórnia para ajudar a supervisionar a integração e os testes. Os processos e procedimentos técnicos também serão revistos, para garantir um elevado nível de confiança no sucesso no lançamento do telescópio. A NASA também está estabelecendo um Conselho de Revisão Independente para avaliar a sequência de implantação e outros aspectos do lançamento do projeto.

Entretanto, os engenheiros estão implementando correções para problemas específicos de hardware, como a adição de molas aos cabos do protetor solar para evitar que eles desenvolvam folga durante a implantação do escudo depois do lançamento, já no espaço.

“O Webb vai viajar para uma órbita de cerca de 1,6 milhão de quilômetros da Terra, ou quatro vezes mais distante que a Lua”, Zurbuchen disse na coletiva de imprensa.  “Colocando de modo simples: temos uma chance para fazer isto direito antes de ir para o espaço. Você já ouviu isso antes, e soa verdadeiro para o Webb: para nós, realmente, o fracasso não é uma opção… Ele precisa ainda mais atenção agora enquanto ele se aproxima da linha de chegada”.

“Este é o maior projeto de ciência espacial internacional na história dos EUA, e precisamos conseguir o tempo necessário para avaliar os dados de forma muito criteriosa para garantir que voltaremos aos trilhos e voltaremos certos e com os pés no chão”, Zurbuchen acrescentou.  “Queremos ter certeza de que o lançamento será em 2020 e temos um caminho para a frente”.

O próximo lançamento da NASA, o satélite TESS – Transiting Exoplanet Survey Satellite, que fará uma possível colaboração entre dados do telescópio espacial Hubble e do James Webb para a ciência do espaço profundo, não deve ser afetado pelo atraso no lançamento anunciado hoje, garantiram os servidores da NASA.

Nota do editor: esta matéria foi atualizada com mais detalhes de uma teleconferência da NASA sobre o adiamento do lançamento do Telescópio Espacial James Webb. Este artigo foi atualizado no site Space.com às 14h15 (horário de Brasília) após detalhes adicionais apurados na coletiva de imprensa de NASA.

Com informações do Space.com, do original de Sarah Lewin, e do Astronomy.com.

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