Tudo o que você precisa saber sobre o lançamento do Falcon Heavy

O que acontece se as coisas correrem bem e o que acontece se não der tudo certo. De Loren Grush para o The Verge. O momento de a SpaceX lançar o foguete Falcon Heavy finalmente chegou. Uma...

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O que acontece se as coisas correrem bem e o que acontece se não der tudo certo.

De Loren Grush para o The Verge.

O momento de a SpaceX lançar o foguete Falcon Heavy finalmente chegou. Uma licença de lançamento foi emitida hoje para que o veículo gigante alce voo. É uma missão que muitos esperaram desde 2011, quando o CEO da SpaceX, Elon Musk, anunciou pela primeira vez os planos para desenvolver o veículo. Agora, após sete anos e inúmeros atrasos, o lançamento do foguete está iminente. E isso pode ser uma mudança de jogo para a SpaceX.

Aqui estão todos os detalhes que você precisa saber sobre este lançamento e por que ele é um grande negócio tanto para a SpaceX quanto para o setor.

O que é o Falcon Heavy?

 

A essência do foguete está aí mesmo, em seu nome: é a versão pesada do foguete Falcon 9 da SpaceX. O veículo consiste em três núcleos do Falcon 9 amarrados, dando ao foguete uma incrível quantidade de energia. E dado que cada Falcon 9 tem nove motores de foguete principais, então existem 27 motores no total, os quais serão usados para enviar este foguete para o espaço. Nenhum outro foguete de trabalho já usou tantos motores.

Veja no vídeo a seguir o teste estático do Falcon Heavy, realizado em 24 de janeiro.

Todo esse conjunto pode supostamente criar 22.819kN ou mais de 2.200 toneladas-força (ou mais de 5 milhões de libras-força) de impulso na decolagem. Isso faz o Falcon Heavy capaz de colocar cerca de 63,5 toneladas métricas (140 mil libras) de carga na órbita terrestre inferior, ganhando o título do foguete mais poderoso do mundo.

Por que devo me importar?

Colocando as coisas de modo simples, usar um foguete tão poderoso significa que você pode levar muito mais coisas para o espaço. E isso poderia abrir uma nova linha de negócios para a SpaceX — desde enviar satélites mais pesados para a órbita terrestre até enviar pessoas para o espaço profundo. Além disso, o Falcon Heavy é bastante barato: cada voo do foguete começa em apenas US$ 90 milhões. Com o segundo foguete mais poderoso, o Delta IV Heavy, o custo é de cerca de US$ 350 milhões por lançamento, de acordo com seu fabricante, a United Launch Alliance – ULA. E o Delta IV Heavy pode colocar quase metade em órbita do que é capaz o Falcon Heavy.

Voar com sucesso esse poderoso foguete pode ter grandes implicações para a indústria espacial. A SpaceX poderia usar o Falcon Heavy para enviar para órbita satélites de segurança nacional maiores que o seu foguete Falcon 9 não pode voar atualmente. Um foguete barato e poderoso como este também poderia chamar a atenção da NASA. Missões de ciência robótica para Marte e outros mundos poderiam ser lançadas no veículo, ou o Falcon Heavy poderia ser usado nos planos da NASA de voltar para a Lua, enviar carga, landers, módulos de habitat e até pessoas.

Além disso, a SpaceX diz que enviará dois clientes pagantes ao redor da Lua usando o Falcon Heavy em algum ponto no futuro. Então, o turismo espacial também parece ser uma opção.

De onde ele está sendo lançado?

O Falcon Heavy está decolando de um local de lançamento histórico no Centro Espacial Kennedy da NASA em Cabo Canaveral, na Flórida: a chamada plataforma LC-39A. O local foi usado para lançar a missão Apollo 11 para a Lua, bem como inúmeras missões do ônibus espacial, incluindo o voo que encerrou a era dos ônibus espaciais. Em 2014, a SpaceX assinou um contrato de arrendamento de 20 anos com a NASA para usar a plataforma 39A para os voos da empresa, e desde então modificou o local para acomodar os lançamentos do Falcon 9 e do Falcon Heavy.

A plataforma de lançamento e o hangar da SpaceX no sítio LC-39A em Cabo Canaveral. Fonte: NASA.
A plataforma de lançamento e o hangar da SpaceX no sítio LC-39A em Cabo Canaveral. Fonte: NASA.

O que o Falcon Heavy vai fazer?

No primeiro voo do Falcon Heavy, a SpaceX tentará lançá-lo em órbita sem explodir. Ou seja, esta é uma missão de demonstração destinada a ver se o Falcon Heavy pode simplesmente enviar uma carga útil para órbita. É por isso que a carga do foguete é bastante irrelevante: é um carro roadster da Tesla Motors, também de Elon Musk, ficando mais complicado com uma possível inclusão de um manequim no assento do passageiro, vestido com um novo traje espacial da SpaceX, claro. O Falcon Heavy deve colocar o carro (assim como o “passageiro”, presumivelmente) em uma órbita ao redor do Sol, conhecida como órbita de transferência de Hohmann. Este caminho levará o carro tão longe do Sol quanto a distância da órbita de Marte. No entanto, o carro não irá passar nem perto de Marte, então não há risco de o carro contaminar o planeta com micróbios terrestres.

Levar o carro no espaço será um processo um pouco complicado: o Falcon Heavy será lançado com os três núcleos, mas os dois núcleos externos irão ser liberados durante a subida. Como o Falcon 9, o Falcon Heavy é parcialmente reutilizável, então esses núcleos tentarão pousar na Terra uma vez que se separem. O par irá voltar para Cabo Canaveral e tocar nas duas plataformas de aterrissagem de concreto da SpaceX na costa da Flórida — apropriadamente chamadas Landing Zone 1 e Landing Zone 2.

O carro de Elon Musk, um roadster vermelho da Tesla (e boneco de manequim com o novo traje espacial da SpaceX), que o Falcon Heavy estará levando ao espaço. Fonte: Elon Musk no Twitter.
O carro de Elon Musk, um roadster vermelho da Tesla (e boneco de manequim com o novo traje espacial da SpaceX), que o Falcon Heavy levará ao espaço. Fonte: Elon Musk no Instagram.

O terceiro núcleo do primeiro estágio, situado ao centro, também retornará à Terra, mas este vai para o Oceano Atlântico em direção a uma das plataformas-drones autônomas da SpaceX. É um balé de foguete altamente coreografado, mas se isso funcionar, todos os três núcleos poderiam ser reusados para futuras missões.

Na verdade, os núcleos externos (os chamados primeiros estágios) do Falcon Heavy já voaram antes: um colocou um satélite para empresa Thaicom em maio de 2016, enquanto o outro embarcou carga para a Estação Espacial Internacional em agosto de 2016.

O que acontece se o lançamento for bem-sucedido?

Se tudo der certo e correr como o programado, então o Falcon Heavy terá mais alguns voos programados. O veículo está reservado para colocar um grande satélite de comunicações para o operador Arabsat da Arábia Saudita em algum momento já no início de 2018. E o Falcon Heavy também tem agendado o lançamento de uma carga útil de teste para a Força Aérea dos EUA antes de junho. Esse lançamento permitirá que a Força Aérea julgue se o Falcon Heavy está pronto para voar as cargas úteis de segurança nacional, o que pode se tornar um grande mercado para o veículo. O voo também conterá um conjunto de satélites secundários, também, incluindo uma nave espacial de teste especial da Planetary Society chamada LightSail. A sonda foi projetada para implantar uma grande e fina vela que usa radiação do Sol para se impulsionar pelo espaço.

O Falcon Heavy também deverá voar com dois satélites pesados adicionais — um para a Inmarsat e outro para a Viasat. Mais além disso, não há muitos voos planejados. Os negócios podem começar a crescer para o foguete, no entanto, uma vez que os potenciais clientes o vejam voar.

Quais as implicações se o lançamento terminar em uma grande explosão?

Bem, caso isso ocorra, não será nada bom. As repercussões de tal falha dependem um tanto de onde aconteça. Se explode no meio de sua subida ao espaço, o foguete provavelmente não trará nenhum dano a nada. No entanto, isso significa que o Falcon Heavy ainda não está pronto para voos espaciais regulares, e a empresa pode querer fazer mais voos de teste antes de lançar os satélites dos clientes. Também não seria bom para a reputação da SpaceX, já que os críticos provavelmente usarão o fracasso como motivo para duvidar da confiabilidade da empresa.

Agora, se o Falcon Heavy explodir perto da plataforma de lançamento, essa será uma história diferente. Quando um dos Falcon 9 da SpaceX explodiu no chão em 2016, causou danos consideráveis à plataforma de lançamento no qual o veículo estava localizado. Nesse indesejável acidente, a pad launch, como são denominadas as plataformas de lançamento, ficou incapaz de hospedar lançamentos por quase um ano, até que a SpaceX reparasse e atualizasse o local. Se o Falcon Heavy causar grandes danos à plataforma LC-39A, o sítio de lançamento pode ficar fora de serviço por um tempo.

O foguete Falcon Heavy na histórica plataforma de lançamento LC-39A no Centro Espacial Kennedy em Cabo Canaveral, Flórida, Estados Unidos. Imagem: SpaceX
O foguete Falcon Heavy na histórica plataforma de lançamento LC-39A no Centro Espacial Kennedy em Cabo Canaveral, Flórida, Estados Unidos. Imagem: SpaceX

Isso também colocaria o Falcon Heavy fora de serviço por um tempo. Agora, a LC-39A é a única das plataformas da SpaceX capaz de hospedar voos do Falcon Heavy. A empresa possui duas outras locais de lançamento em operação — uma na Califórnia e outra na Flórida —, mas elas só estão equipadas para lançar o Falcon 9 no momento. É possível que as plataformas de lançamento possam ser atualizadas para acomodar os voos do Falcon Heavy, mas essas atualizações levariam um tempo para serem executadas.

Além disso, uma explosão perto da plataforma tem o potencial de atrasar futuras missões humanas para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) partindo da Flórida. Acontece que a SpaceX está atualmente desenvolvendo uma nave espacial chamada Crew Dragon com o objetivo de enviar astronautas para a ISS como parte do Programa de Tripulação Comercial da NASA. E o primeiro voo tripulado deve ser lançado da LC-39A ainda este ano. A plataforma de lançamento no sítio 39A tem uma torre muito alta ao lado dela — um remanescente das missões do ônibus espaciais — que acabará por ser uma torre de passagem que futuros astronautas usarão para atravessar para entrar na Crew Dragon. Mas, se essa torre for danificada, ela precisará ser reparada antes que as tripulações possam voar. A outra plataforma na Flórida da companhia na Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral não possui infraestrutura que permita a astronautas embarcarem em um foguete.

Então, espera-se que o Falcon Heavy, pelo menos, livre a base de lançamento, ou esses planos poderiam ficar bastante complicados para a SpaceX. Musk disse que consideraria uma vitória se o Falcon Heavy não causar danos na plataforma.

Quando o lançamento irá acontecer?

O lançamento está programado para decolar na terça-feira, dia 6 de fevereiro, em algum momento durante uma janela de lançamento que abrange da 13h30 a 16h no horário local (Veja NOTA abaixo).¹ No entanto, este é o primeiro voo do Falcon Heavy, para o qual, até lá, falhas tecnológicas podem surgir e empurrar o lançamento alguns dias mais para frente. O tempo também pode causar um atraso, mas há 80% de chance de que o clima seja favorável, de acordo com Patrick Military Air Force Base no Cabo Canaveral.

Como posso acompanhar o lançamento?

A SpaceX transmitirá em tempo real a missão no YouTube, que será incorporada nesta publicação. A cobertura deve começar pouco antes do lançamento, então, verifique em seguida assistir a um dos lançamentos de foguete mais esperados na última década.²

Texto adaptado do original “Everything You Need To Know About The Falcon Heavy Launch”de Loren Grush para o site The Verge.

NOTAS:

  1. O lançamento está confirmado para amanhã, 06 de fevereiro, às 16h30 (horário de Brasília, 1830 GMT, 1:30 p.m. EST), conforme informou o CEO da SpaceX através de sua conta no Twitter. Nesta, terça-feira pela manhã, a SpaceX recebeu a aprovação da licença de lançamento pela FAA — Federal Aviation Administration — para o teste do foguete Falcon Heavy, que partirá da plataforma de lançamento 39A no Kennedy Space Center da NASA em Cabo Canaveral, Florida. Fonte: Space.com
  2. A transmissão ao vivo começará às 16h00 (horário de Brasília) na página da Sociedade Científica no Facebook, com link direto dos nossos parceiros do canal Rocket Science Brasil.

 

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