Um “nariz” de alta tecnologia irá proteger o Mickey Mouse e Simba durante sua visita à China

Um novo sensor detecta pequenas quantidades de poluentes que podem arruinar obras de arte. De Jason Daley para a Smithsonian.com No verão passado, Mickey Mouse foi à China — ou pelo menos algumas das primeiras...

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Um novo sensor detecta pequenas quantidades de poluentes que podem arruinar obras de arte.

De Jason Daley para a Smithsonian.com

No verão passado, Mickey Mouse foi à China — ou pelo menos algumas das primeiras obras de arte do personagem de icônico desenho animado. Museus em Pequim e Xangai exibiram uma exposição itinerante da Disney intitulada “Drawn from Life: The Art of Disney Animation Studios” que incluiu trezentos esboços e caixas de animação (acrônimo para celuloide, um tipo de plástico anteriormente utilizado para animação), cobrindo histórias dos anos 90 dos estúdios Disney — de Steamboat Willie, o primeiro desenho animado em que aparece Mickey Mouse a filmes posteriores como O Rei Leão e Frozen.

O Reino Encantado da Disney queria mais do que um pouco de proteção dessas históricas joias da coroa, então eles testaram uma nova tecnologia para proteger suas obras de arte sensíveis: um nariz artificial que é quinhentas vezes mais sensível e muito mais barato do que os sistemas de monitoramento atuais de muitos museus. Este dispositivo pode sentir se a obra de arte estiver se degradando e liberando gás ou se houver poluentes presentes no ar, o que pode causar alterações de cor e decomposição.

Kenneth Suslick, pesquisador da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, apresentou essa inovação recentemente em uma reunião da American Chemical Society em San Diego, Califórnia. Suslick anteriormente inventou um nariz artificial para aplicações biomédicas. Mas o autodidata e agora “treinador do cão do museu” pensou que a tecnologia também poderia ser útil para proteger artes e artefatos, de acordo com um comunicado de imprensa.

“Muitos poluentes que são problemáticos para os seres humanos também são problemáticos para obras de arte”, diz Suslik no comunicado de imprensa. “A capacidade de monitorar a quantidade de poluição que um desenho ou pintura está exposta é um elemento importante na preservação da arte”.

É por isso que ele contatou o Getty Conservation Institute, um grupo de pesquisa de Los Angeles que trabalha na preservação e restauração de artefatos culturais. Com a ajuda do instituto, Suslick redesenhou seu “nariz” optoeletrônico, que é na verdade um pequeno conjunto de sensores semelhantes ao papel tornasol que muda de cor na presença de certos produtos químicos. O novo modelo é cem vezes mais sensível do que seu dispositivo anterior e é capaz de detectar pequenas quantidades de poluentes, como o ozônio, o óxido nítrico, o formaldeído e os ácidos acético e fórmico.

Mas não é apenas um ar contaminado que é problema. As obras de arte também podem liberar produtos químicos que, quando selados em uma vitrine ou moldura de vidro, eventualmente as danificam. As primeiras células de animação como os da exposição itinerante da Disney são particularmente suscetíveis a descamação e delaminação.

Os quadros e os estojos que continham os esboços e caixas de animação foram protegidos por folhas ou pacotes de sílica que puxam poluentes do ar e muitas vezes estão presentes em quadros e vitrines em museus. Mas saber quando substituir essas folhas é difícil. Foi aí que veio o nariz. Os curadores colocaram os sensores nas costas e no interior dos quadros e dos estojos. Se algum dos sensores começasse a mudar de cor, os curadores saberão que os níveis de poluição estão aumentando e era hora de trocar as proteções.

Quando os níveis de poluentes nos museus chineses permaneceram surpreendentemente dentro de níveis aceitáveis, o nariz eletrônico indicou que alguns das próprias vitrines lançaram a contaminação por sulfetos. Suslik diz que continuará a melhorar a sua gama de sensores e um dia espera que a essa tecnologia possa entrar nos museus em todo o mundo.

Muitas vezes, nos preocupamos com os poluentes que prejudicam as pessoas, mas como Suslik enfatizou em uma conferência de imprensa, “os níveis recomendados de poluentes atmosféricos aceitáveis para a arte em um museu são cerca de cem vezes menores do que aqueles aceitáveis para seres humanos”. Mas, ao contrário das pessoas, as obras de arte não se curam ou têm vida finita, disse ele no comunicado de imprensa. “As obras de arte devem ser preservadas para as gerações futuras”.

Traduzido de A High-Tech “Nose” Will Protect Mickey Mouse and Simba During Their Visit to China do Smithsonian.com.

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