O primeiro “som” do interior dos anéis de Saturno

O orbitador Cassini cruzou a região do vão entre Saturno e seus anéis. Os pesquisadores descobriram que a região, nunca antes explorada, é um surpreendente vazio de poeira e detritos, propícia para uma passagem suave...

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O orbitador Cassini cruzou a região do vão entre Saturno e seus anéis. Os pesquisadores descobriram que a região, nunca antes explorada, é um surpreendente vazio de poeira e detritos, propícia para uma passagem suave para o resto das 19 órbitas restantes antes do mergulho final na atmosfera de Saturno em 15 de setembro próximo.

O espaço entre Saturno e seus anéis é estranhamente silencioso: os pesquisadores que monitoram a espaçonave Cassini ficaram surpresos ao encontrar quase nada de poeira e detritos durante o primeiro mergulho da espaçonave através da abertura. E você pode ouvir a estranha falta de impactos em um vídeo da NASA.

Em 2 de maio a espaçonave Cassini fez o segundo de seus 22 mergulhos às 16h38 no horário de Brasília (ou no horário da nave às 19h38 GMT) através da região entre os anéis e o planeta Saturno, a uma altitude de cerca de 2.000 quilômetros (1.200-milhas).

Contudo, em seu primeiro voo, no dia 29 de abril, através dessa região até então inexplorada a Cassini foi posicionada mantendo sua grande antena à frente de seu corpo para que fossem prevenidos danos ao corpo da nave no caso de possíveis impactos com detritos e, dessa forma, a antena funcionou como um escudo improvisado. Mas, ultimamente, isso tem se mostrado desnecessário. 

A espaçonave tem encontrado pouquíssimas partículas e nenhuma maior do que uma partícula de fumaça (cerca de um mícron de diâmetro), relataram os controladores da Missão Cassini-Huygens da NASA/ESA/ASI.

“A região entre os anéis e Saturno é um grande vazio, aparentemente”, afirmou Earl Maize, diretor de projeto da Cassini no Laboratório de Propulsão a Jato (oJPL) da NASA, na Califórnia, em um comunicado. “A Cassini irá manter seu curso, enquanto os cientistas trabalham no mistério do porquê o nível de poeiras é tão mais baixo do que o esperado.”

Apesar de inesperado, o vazio é certamente bem-vindo: o segundo rasante da Cassini, em 02 de maio, ocorreu em uma região muito próxima ao seu primeiro mergulho. E os cientistas estão liberados para orientar a espaçonave do jeito que quiserem, ao invés de usarem a antena como escudo novamente. Mais quatro dos mergulhos restantes da nave estão programados para através dos arredores internos dos anéis de Saturno, disseram os agentes da NASA, e assim ela ainda precisará ser protegida com a grande antena a sua frente.

Para processar os dados da travessia da lacuna — que foram recolhidos com o instrumento científico “Radio and Plasma Wave Science” da Cassini, colocado para fora da antena que atuava como um escudo — os pesquisadores o converteram em formato de dados de áudio. Como resultado, marcas de estouros e “arranhões” de partículas de poeira batendo no instrumento, disseram as especialistas da NASA, foram sobrepostas aos assobios e rangidos que normalmente a Cassini detecta.

O instrumento Radio and Plasma Wave Science (RPWS) da Cassini, que, como o nome denuncia, detecta ondas de rádio e plasma, bem como o meio de plasma através do qual Cassini passa, usando um conjunto de antenas e sensores. Para mais informações sobre o RPWS, visite o site da NASA aqui.
O instrumento Radio and Plasma Wave Science (RPWS) da Cassini, que, como o nome denuncia, detecta ondas de rádio e plasma, bem como o meio de plasma através do qual Cassini passa, usando um conjunto de antenas e sensores. Para mais informações sobre o RPWS, visite o site da NASA clicando aqui.

Quando a Cassini no lado externo dos anéis de Saturno, no começo da missão, ela detectou centenas de colisões por segundo com partículas. Mas nesse passagem entre os anéis e o planeta, ela apenas registrou umas poucas colisões.

“Foi um pouco desorientador — nós não obtinhámos o que esperávamos ouvir”, disse William Kurthm, chefe da equipe de controle dos instrumentos científicos da Cassini, pesquisadores da Universidade de Iowa, em Iowa City. “Ouvi os nossos dados do primeiro mergulho da Cassini [entre os anéis de Saturno] várias vezes e provavelmente posso contar nos dedos o número de imapactos de partículas que notei.”

Durante essa segunda órbita de mergulho, a Cassini girou sobre si mesma rapidamente para calibrar seu magnetômetro e checar e monitorar a fina estrutura dos anéis de Saturno. E isso possibilitou tirar vantagem do ângulo da espaçonave para investigar a composição da lua Rhea de Saturno, de acordo com a página da missão (veja os dados da missão para a órbita do dia 26 abril a 03 de maio, durante a segunda órbita “Gran Finale”). Enquanto passava, ela chegou a 2.930 quilômetros do topo das nuvens de Saturno, onde a pressão é a mesma que a do nível do mar na Terra. E a Cassini passou perto da borda interna do Anel D de Saturno, a uma distância de 4.780 quilômetros.

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Imagem mostrando o perfil das 22 órbitas rasantes e a órbita final desta etapa chamada “Grand Finale”. Crédito: NASA/JPL-Caltech

O vídeo a seguir mostra os dados coletados pelo instrumento RPWS na nave espacial Cassini da NASA, convertidos para dados de áudio, ao atravessar o fosso entre Saturno e seus anéis no dia 26 de abril de 2017, durante o primeiro mergulho do Grand Finale da missão.

No próximo vídeo, vemos os dados coletados pelo mesmo instrumento RPWS do orbitador Cassini quando a espaçonave atravessou plano dos anéis de Saturno pelo lado externo, em 18 de dezembro de 2016. O instrumento foi capaz de gravar as partículas do anel que atacam a espaçonave em seus dados.

O instrumento PRWS da espaçonave obteve os dados para estes espectogramas à medida que a espaçonave passou exatamente por fora dos Anéis de Saturno, em 18 de dezembro de 2016 (vídeo acima) e gravou novamente quando a Cassini cruzou pelo espaço entre os Anéis e Saturno (vídeo superior) em 26 de abril deste ano. Houve muitos poucos detritos atingindo a espaçonave quando ela passou por entre os anéis e o planeta. Crédito: NASA/JPL-Caltech/University of Iowa

Depois da passagem, no dia 02 de maio, os controladores e pesquisadores da Cassini perderam momentâneamente o contato com a espaçonave, já que ela passava por trás do planeta Saturno. Depois que a Cassini completar suas 22 órbitas rasantes entre o vão existente sobre o planeta e seus anéis, a Cassini irá mergulhar na atmosfera de Saturno em seu “Grand Finale”, em 15 de setembro deste ano.

Hoje, 08 de junho de 2017, ocorreram sete das 22 órbitas da fase Grand Finale, segundo o site da missão. Que novas surpresas nos aguardam até o mergulho final da Cassini na atmosfera de Saturno? O jeito é aguardar para ver. Estamos ansiosos.

Com informações do sites NASA, Missão Cassini/Grand Finale e Sapce.com.

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