SpaceX lança satélite de comunicações superpesado

Um foguete Falcon 9 da SpaceX saiu da plataforma de lançamento 39A no Centro Espacial Kennedy da NASA, na Flórida, ontem, 15 de maio, com um satélite de comunicações que completará a rede de banda larga de quinta geração da Inmarsat....

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Um foguete Falcon 9 da SpaceX saiu da plataforma de lançamento 39A no Centro Espacial Kennedy da NASA, na Flórida, ontem, 15 de maio, com um satélite de comunicações que completará a rede de banda larga de quinta geração da Inmarsat.

O impulsionador de 23 andares de altura disparou de sua plataforma de lançamento à beira-mar, que hospedou os ônibus espaciais da NASA e os históricos foguetes da missão Apollo que levou a humanidade à Lua, às 19h21 no horário local (ou às 20h21 no horário de Brasília ou 2321 GMT). Foi a sexta de mais de 20 missões que a SpaceX planeja voar este ano.

No topo do foguete de dois estágios estava o Inmarsat-5 F4 de 6.100 quilogramas (13.400-lb), um satélite de comunicações, a carga mais pesada já entregue em por uma nave espacial Falcon em uma órbita de transferência geoestacionária a cerca de 350.000 km acima da Terra, conforme informou o site Space.com.

O satélite separou-se do segundo estágio do Falcon 9 aos 32 minutos após a decolagem. “Esta tem sido uma grande tarde e noite”, disse o comentarista da missão SpaceX, John Insprucker. “Tudo o que você pode querer para hoje.”

Contudo, deixar o Inmarsat F4 em sua órbita prevista esvaziou os tanques de combustível do Falcon, não permitindo a nenhum dos propulsores funcionar para que o primeiro estágio do foguete tentasse um pouso seguro, como feito em lançamento anteriores, quer em uma barcaça drone quer em uma plataforma em solo. Desse modo, o primeiro estágio do foguete foi descartado.

O lançamento do foguete Falcon 9 com o satélite Inmarsat-5 F4 da base de lançamento da Flórida, Estados Unidos, neste 15 de maio pode ser visto na íntegra no vídeo abaixo.

Crédito: SpaceX

 

Até agora, dez primeiros estágios do Falcon 9 voltaram intactos após o lançamento, incluindo um foguete que já voou duas vezes . A SpaceX planeja lançar um segundo impulsionador de foguete já usado no próximo mês para a operadora de satélites Bulgária Sat.

O foguete Falcon 9 e o satélite Inmarsat-5 F4 subindo nos céus da Flórida em 15 de maio de 2017. Crédito: SpaceX
O foguete Falcon 9 e o satélite Inmarsat-5 F4 subindo nos céus da Flórida em 15 de maio de 2017. Crédito: SpaceX

Histórico

Antes deste lançamento de agora do Falcon 9, outros nove lançamentos da companhia de Elon Musk subiram e concluíram a missão com a entrega da suas cargas úteis e o pouso do primeiro estágio. Em seis desses voos o retorno do primeiro estágio se deu em um barcaça drone (não tripulada), e os outros aconteceram em terra firme, na base aérea de Cabo Canaveral.

Em 30 de março deste ano houve o lançamento do nono lançamento com reaproveitamento do primeiro estágio do Falcon 9, provando a possibilidade de reuso do booster. Na ocasião, foi posto em órbita outro satélite de comunicação.

Em 8 de abril de 2016 um foguete Dragon pousou com sucesso em uma balsa-drone não tripulada no Oceano Atlântico. Após 15 meses essa era a quinta tentativa de pousar o impulsionador na balsa robotizada de nome “Of Course I Still Love You” (do inglês, “É Claro que Eu Ainda Te Amo”), o que agora parece está se firmando como uma técnica viável para a companhia SpaceX. Contudo, é bastante cedo para concluir que esta é uma tendência da engenharia aeroespacial.

A empresa conseguiu os pousos suaves do primeiro estágio do seu foguete primeiro em em terra fimer e depois uma balsa no oceano.  Em 06 de maio de 2016 a Space concretizou o seu intento de retornar e pousar o primeiro estágio do foguete Falcon em uma plataforma marítima. Em 22 de dezembro de 2015 a companhia privada de exploração aeroespacial fez o primeiro bem-sucedido retorno do primeiro estágio e o pouso dele em uma base em solo, em Cabo Canaveral.

Em janeiro de 2015 uma tentativa de pousar o estágio em uma balsa falou. Outra tentativa em abril do mesmo ano também terminou em perda do impulsionador. Um incidente de 28 de junho de 2015 provoca um mal estar na empresa; esse não teve como causa necessariamente o primeiro estágio, mas sim o segundo. O segundo estágio do Falcon 9 se desintegrou em pleno voo enquanto o primeiro estágio ainda estava disparando. A causa está relacionada a uma ruptura do tanque de combustível daquele estágio, o que causou a destruição completa do foguete e de sua carga útil.

Testando a reutilização de parte do foguete em 2014, a SpaceX fez alguns voos com o Falcon 9 v1.1 usando um primeiro estágio que dizia, à época, que poderia ser reutilizável. Embora o primeiro estágio não tenha sido reaproveitado nesses lançamentos de  abril e julho daquele ano, os testes mostraram ser possível controlar a velocidade do propulsor e simular um “pouso” (na verdade, uma queda controlada) no oceano.

A primeiro retorno da baixa atmosfera com êxito do primeiro estágio se deu em 18 de abril de 2014..

A constelação Global Xpress

A Inmarsat, que está voando pela primeira vez com a SpaceX, esperava ter o satélite F4 de US$ 250 milhões, segundo o Space.com, lançado neste 15 de maio em órbita no ano passado, mas o voo foi postergado depois que um Falcon 9 explodiu na plataforma de lançamento, enquanto estava sendo abastecido para um pré-teste de motor em primeiro de setembro.

O atraso custou à SpaceX um segundo contrato de lançamento com a Inmarsat, com sede em Londres, que contratou o concorrente europeu Arianespace para uma missão planejada para voar no final de junho a bordo de um foguete Ariane 5.

A SpaceX, que já voou seis vezes com sucesso desde o acidente do teste na plataforma de lançamento, tem um atraso de mais de setenta missões, no valor de mais de US $ 10 bilhões. A Inmarsat fez uma opção para outro voo futuro com a SpaceX.

O foguete SpaceX Falcon 9 lança o satélite de comunicações Inmarsat-5 F4 no espaço da Pad 39A do Centro Espacial Kennedy da NASA em Cabo Canaveral, Flórida, em 15 de maio de 2017. Crédito: SpaceX
O foguete SpaceX Falcon 9 lança o satélite de comunicações Inmarsat-5 F4 no espaço da Pad 39A do Centro Espacial Kennedy da NASA em Cabo Canaveral, Flórida, em 15 de maio de 2017. Crédito: SpaceX

O Inmarsat-5 F4 completa a constelação de satélite de banda larga composta por quatro membros, uma iniciativa de US$ 1,6 bilhões, chamada Global Xpress, que fornece comunicações globais e móveis para companhias aéreas, navios, agências governamentais e outros clientes.

Os satélites de quinta geração, que foram construídos pela Boeing, oferecem velocidades de comunicação para downlink de até 50 megabits por segundo e velocidades de uplink de até cinco megabits por segundo para os clientes em terra, no mar ou no ar, disse a Inmarsat em uma sessão de imprensa antes do lançamento. Essa velocidade é cerca de cem vezes mais rápida do que o sistema de geração anterior da Inmarsat. Os clientes dos serviços globais de Wi-Fi da rede Global Xpress incluem o Lufthansa Group e a Austrian Airlines.

Os três satélites anteriores na rede foram lançados a bordo dos foguetes russos Proton em 2013 e 2015.

O lançamento de ontem é a continuação de um ano que que promete ser de bastante trabalho para as equipes da SpaceX. Em 2017, estão programados lançamentos para cada duas ou três semanas, segundo informou o site especializado em tecnologia aeroespacial Space.com.

Dados técnicos da lançamento

O impulsionador do Falcon 9 acionou seus nove motores principais Merlin 1D nos últimos três segundos de uma contagem regressiva, passou por uma verificação de saúde do computador e disparou para o céu da plataforma de lançamento 39A no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, às 19h21 no horário local (20h21 em Brasília).

Gerando 771,80 toneladas-força, os nove motores principais alimentados a querosene impulsionaram o Falcon 9 em direção ao leste em um céu azul livre de nuvens, arrastando uma pluma de escape impetuosa enquanto ultrapassou a velocidade do som e deixava um estrondo em seu rastro através do espaço na costa da Flórida.

Os motores do primeiro estágio desligaram em torno de T + mais 2 minutos e 45 segundos, e o estágio foi desprendido para cair no Oceano Atlântico em um mergulho destrutivo. O peso pesado  Inmarsat 5 F4, com massa de 6,086 kg, fez a decolagem exigir toda a capacidade do Falcon 9, não deixando nenhum combustível sobrando no propulsor para desacelerar o primeiro estágio para um possível pouso.

A SpaceX normalmente orienta seus primeiros estágios Falcon 9 em direção a alvos de pouso em Cabo Canaveral ou no oceano em uma tentativa de renovar e reutilizar os impulsionadores.

O motor do segundo estágio do lançador acendeu momentos depois que o impulsionador caiu a uma altitude de cerca de 80 quilômetros, disparando por quase seis minutos para introduzir o satélite Inmarsat 5 F4 em uma órbita de estacionamento preliminar. A carcaça para a carga útil do Falcon 9 se soltou e caiu do foguete durante a queima do motor do segundo estágio.

O segundo estágio alimentado por bateria desligou seu motor Merlin, correu pelo Atlântico a uma velocidade de quase 8 quilômetros por segundo e depois o reativou ao cruzar o equador sobre o Golfo da Guiné.

O disparo do motor do segundo estágio por quase um minuto foi projetado para enviar a carga útil em uma órbita de transferência “supersíncrona” de arco, um “loop” em forma de ovo em volta da Terra com seu ponto mais alto a uma altitude de várias dezenas de milhares de quilômetros. Em vez disso, o motor foi programado para disparar o maior tempo possível, drenando quase todo o propelente dos tanques da etapa superior para colocar o Inmarsat 5 F4 na órbita mais alta possível.

Dados de rastreamento publicamente disponíveis dos militares norte-americanos, segundo apurou o site SpaceflightNow, indicaram que o Inmarsat 5 F4 foi entregue em uma órbita elíptica que varia de 381 quilômetros a 68.839 quilômetros de altitude, inclinada em 24,5 graus para o equador.

A SpaceX confirmou que o foguete atingiu uma boa órbita e o estádio superior liberou o Inmarsat 5 F4 pouco mais de 32 minutos do voo.

A Inmarsat disse que o novo satélite transmitiu seu status aos engenheiros via uma estação terrestre em Perth, Austrália, às 9h04 em Brasília (8:04 p.m. EDT, 0004 GMT), confirmando que a espaçonave estava ativa e saudável após o lançamento de segunda-feira à noite.

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