Missão OSIRIS-REx Pronta para Mapear Asteroide e Coletar Amostra

A primeira missão dos EUA para viajar para um asteroide, coletar amostra e retorná-la para a Terra está planejada para um 8 de setembro com o lançamento do foguete United Launch Alliance Atlas V da base...

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A primeira missão dos EUA para viajar para um asteroide, coletar amostra e retorná-la para a Terra está planejada para um 8 de setembro com o lançamento do foguete United Launch Alliance Atlas V da base de lançamento de Cabo Canaveral, na Flórida. Essa missão inovadora, que levou vários anos de planejamento, ficou conhecida como OSIRIS-REx. Ela irá viajar para perto de Bennu, um asteroide vizinho da Terra, mapear sua superfície usando um scaner tridimensional a laser, recuperar amostras de sua superfície e retornar à Terra com o material.

A sonda OSIRIS-REx vai passar os dois primeiros anos da missão viajando até asteroide Bennu, chegando lá em agosto 2018. Os cinco instrumentos especializados da sonda serão usados para mapear a superfície do asteroide, identificar os minerais e produtos químicos que podem estar na superfície, e selecionar o local de coleta da amostra que será trazida de volta.

“O objetivo principal da missão é trazer de volta 60 gramas de material intocado e rico em carbono da superfície de Bennu”, disse Dante Lauretta, professor no Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona e pesquisador chefe da missão. “Esperamos que estas amostras irão conter moléculas orgânicas do início do sistema solar, as quais podem nos dar informações e pistas para a origem da vida.”

Em julho de 2020, a sonda irá tocar brevemente a superfície do asteroide para coletar pedras soltas e poeira usando seu mecanismo de aquisição de amostra Touch-and-Go, ou “TAGSAM”, e armazenar o material em uma cápsula para o retorno da amostra. A espaçonave partirá do asteroide em março 2021, quando a “janela de saída” será aberta, e viajará por dois anos e meio em uma trajetória de retorno à Terra, com chegada aqui programada para setembro de 2023, com o recolhimento da amostra no deserto de Utah, EUA.

Embora esta seja a primeira missão da NASA do tipo, já houve outra missão que foi até um asteroide e trouxe amostra de lá. Antes da OSIRIS-REx, a missão japonesa Hayabusa enviou uma sonda até o asteroide Itokawa em 2005 e retornou com uma porção dele em 2010. Atualmente, na JAXA (a agência espacial japonesa) está em curso a missão Hayabusa 2, lançada em 3 de dezembro de 2014 a partir do Centro Espacial de Tanegashima, no Japão, com retorno planejado para dezembro de 2020, também com exemplares do asteroide alvo.

O nome OSIRIS-REx da missão é um, além de fazer uma referência à deusa egípcia que governa o mundo dos mortos, provem “Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, and Security-Regolith Explorer”, que significa em bom português “Origens, Interpretação Espectral, Identificação de Recursos, Seguro Explorador de Regolito”.  Apesar de o nome da missão fazer um trocadilho forçado com o nome do cometa Bennu, que provém da cultura egípcia na qual era o nome uma ave mitológica, ele resume bem tudo o que a missão irá fazer: investigar a origem do Sistema Solar ao estudar um asteroide que remonta à formação do nosso sistema planetário; verificar a composição química do asteroide por meio de espectroscopia e, com isso, identificar possíveis recursos naturais interessantes para futuras investidas de mineração espacial; se certificar de que o asteroide não vira a colidir com a Terra, ao estudar melhor a composição de Bennu e o chamado efeito Yarkovsky; e recolher uma amostra da fina poeira que o recobre – o chamado regolito.

O bólido celeste batizado de Bennu é velho conhecido dos astrônomos. Ele está em uma órbita semelhante à do nosso planeta, o que faz com que ele cruze nosso caminho vez ou outra, e possui cerca de 492m de diâmetro. Pelas simulações, há um risco de ele se chocar com a Terra na segunda metade do século XXII. Mas até lá não há motivos para preocupação, as chances de haver uma colisão são de apenas 1 em 2.700 — o que é um risco pequeno, mas não suficientemente seguro do ponto de vista astronômico.

No retorno, conforme a OSIRIS-REx se aproxima da Terra, a cápsula contendo a amostra será ejetada da sonda e cairá com a ajuda de paraquedas no Utah Test and Training Range, ao sudoeste de Salt Lake City. O recipiente será recuperado e transportada para o Centro Espacial Johnson da NASA, em Houston, para análise. A o restante da sonda OSIRIS-REx permanecerá em órbita em torno do Sol, após a entrega da amostra e sobrevoo pela Terra. A missão irá lançar as bases para a futura exploração de asteroides e outros pequenos corpos do sistema solar.

“O Bennu é um asteroide é de cerca de 1.600 pés (492 metros) de diâmetro. Pense nisso como uma pequena montanha no espaço “, disse Lauretta. “É um asteroide próximo da Terra que faz aproximações ocasionais ao nosso planeta.”

A OSIRIS-REx chegou no Kennedy Space Center da NASA, na Flórida, em 20 de maio e foi transportado para o Payload Hazardous Servicing Facility, ou PHSF (ou instalação de assistência de carga de risco), no mesmo dia. Dentro do PHSF foi processada e preparada pela equipe de nave espacial para a sua missão.

Dentro do Payload Facility Servicing Facility (PHSF) no Centro Espacial Kennedy da NASA, na Flórida, a sonda OSIRIS-Rex da agência foi preparada para encapsulamento em 19 de agosto em sua carenagem de carga útil. A OSIRIS-Rex será a primeira missão EUA a coletar uma amostra de um asteroide serão, pelo menos, 56g de material da superfície do cometo e devolvê-lo à Terra para estudo. Crédito da imagem: NASA / Glenn Benson
Dentro do Payload Facility Servicing Facility (PHSF) no Centro Espacial Kennedy da NASA, na Flórida, a sonda OSIRIS-REx da agência foi preparada para encapsulamento em 19 de agosto em sua carenagem de carga útil. A OSIRIS-REx será a primeira missão dos EUA a coletar uma amostra de um asteroide de, pelo menos, 56g de material da superfície do cometo e devolvê-lo à Terra para estudo. Crédito da imagem: NASA / Glenn Benson

Nesta fase, técnicos e engenheiros realizaram testes de iluminação sobre os painéis solares espaciais da nave, nos hardwares dos instrumento e sistemas de comunicação, realizaram uma pesagem e teste do centro de gravidade e dos cobertores térmicos instalados ao redor da sonda para protegê-la contra as temperaturas extremas do espaço. O propulsor, que permitirá a OSIRIS-REx a alcançar Bennu e a retornar à Terra, também foi instalado na espaçonave.

Engenheiros e técnicos encapsulam a sonda espacial Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer, ou OSIRIS-Rex, em sua carenagem de carga útil. Crédito: NASA/Dimitri Gerondidakis
Engenheiros e técnicos encapsulam a sonda espacial Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer, ou OSIRIS-REx, em sua carenagem de carga útil. Crédito: NASA/Dimitri Gerondidakis

“Nós preparamos esta carga em um ambiente muito limpo”, disse Rex Engelhardt, gerente do Programa de Serviços de Lançamento para a missão OSIRIS-REx. “Nós não queremos contaminar as amostras que a OSIRIS-REx irá retornar para nós.”

No PHSF, a equipe de preparação colocou placas de amostra perto da OSIRIS-REx para coletar amostras do ambiente. Essas amostras serão comparadas com as amostras que serão devolvidos a partir do asteroide, a fim de permitir uma posterior identificação de contaminação que possa ter ocorrido no PHSF.

A sonda OSIRIS-REx foi colocada em sua carenagem carga útil em 19 de agosto, e transportada para a base no Complexo de Lançamento 41 (ou SLC41) para o levantamento e acoplamento ao foguete em 30 de agosto. O foguete que irá levantar a OSIRIS-REx para o espaço foi colocado na SLC-41 de modo que a carenagem de carga útil contendo a sonda pudessem ser hasteadas e aparafusadas ao foguete.

 

O foguete United Launch Alliance Atlas V, que levará a OSIRIS-Rex para o espaço, foi colocado no Complexo de Lançamento Espacial 41 (Space Launch Complex 41 ou SLC 41) de modo que a sonda e carenagem de carga útil pudessem ser içadas e a carenagem aparafusada ao foguete. Crédito da imagem: NASA / Dimitri Gerondidakis
O foguete United Launch Alliance Atlas V, que levará a OSIRIS-Rex para o espaço, foi colocado no Complexo de Lançamento Espacial 41 (Space Launch Complex 41 ou SLC 41) de modo que a sonda e carenagem de carga útil pudessem ser içadas e a carenagem aparafusada ao foguete. Crédito da imagem: NASA / Dimitri Gerondidakis

A sonda OSIRIS-REx será lançada pelo foguete United Launch Alliance Atlas V partindo do Complexo de Lançamento Espacial 41 (SLC 41) na Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, Flórida, Estados Unidos, às 20h05 (horário de Brasília) desta quinta-feira (08). Uma nova história da exploração espacial já começou a ser escrita com a possível futura exploração mineral de asteroides e outros pequenos corpos do sistema solar – e nessa os japoneses estão adiantados.

Fonte: NASA

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